PARTE II — O SISTEMA
Capítulo 12 — A Interligação Universal
Toda vida surge de vida anterior. Dessa única frase decorre uma das ideias mais vertiginosas do guia: toda vida está interligada a toda vida que já existiu e que ainda existirá.
O passado age no presente. Sem um antepassado remoto que você nunca viu — e sem cada elo da corrente entre ele e você —, você simplesmente não existiria. E não é só sangue: um amigo próximo do autor, costuma lembrar como um artista morto há mais de um século segue moldando o comportamento de quem hoje nunca viu um quadro dele ao vivo. A luz emitida por aquela vida foi recebida por gerações que ele jamais conheceu. A emissão cessou; a recepção continua.
O futuro também age no presente — e isso é menos óbvio. Sociedades inteiras se organizam hoje em função de vidas que ainda não nasceram: sistemas de previdência se desenham em torno de quem vai trabalhar daqui a trinta anos; políticas demográficas respondem a filhos que ainda não vieram; a preocupação com recursos é uma preocupação com bocas futuras. Um país que envelhece e não gera vidas novas sente hoje, no orçamento e no ânimo, o peso de um amanhã que já está chegando. Vidas que não existem ainda puxam decisões que tomamos agora.
E os elos entre quaisquer duas vidas do planeta são pouquíssimos — a corrente é curta e densa; qualquer pessoa está a poucos passos de qualquer outra.24 Os seis graus de separação A ideia (popularizada por experimentos de rede social) de que quaisquer duas pessoas do planeta estão ligadas por uma cadeia curta de conhecidos. Sustenta a interligação universal do Capítulo 12.
E há a formulação mais bonita dessa ideia: tudo que é finito tem potencial infinito. De dez algarismos nascem infinitos números; de uma vida finita, efeitos sem fronteira. A existência é finitamente infinita — pequena no tempo que ocupa, imensa no que desencadeia.